17 de abril de 2007

No teu bolso

"

Carlos,

contigo, entre nós, ficamos em Lisboa.
Na boémia da noite, do Fado, do Basquete, dos bailes, das correrias
na Boa Hora, do trabalho na oficina e no escritório na Baixa. Desses
dias que não vivemos, mas que estão entre nós nas tuas palavras, nos
teus silêncios, no teu olhar, fica também o que não gostas: a PIDE, o
carneirismo, "o botas" e a "brigada do reumático".
Sobre eles cairam cravos vermelhos numa manha de Abril: Ary, Zeca,
Paredes, Sophia, Manuel Alegre, Salgueiro Maia, a Liberdade.

Como te dizíamos, ficamos contigo em Lisboa, "cheia de calor!!", mas
também chuvosa nos seus dias. Um pouco como nós... como tu por vezes
dizes.

(...)

Ficamos na tua e na nossa Lisboa, na Costa de mar frio, nas estradas
para Madrid que iremos descobrir, no Norte bonito de bruto que é, no Alentejo pachorrento, no Algarve de outros dias, nas Ilhas de Azul e Verde que tocas no queijo, nas palavras e nas imagens que te trazemos; ficamos, contigo, no País pequenino que sempre vês
grande.

Como tu próprio o fazes e nos dizes, avançamos sempre sem cessar,
seguimos para os nossos dias; contigo.

(...)
"

Lisboa/Varsóvia,
17 de Abril de 2005.


15 de abril de 2007





Ao meu Avô Carlos.


12 de abril de 2007

feira popular das nações unidas ou a propósito do que vi e li hoje




"Este é o templo da inteligência. E eu sou o seu sacerdote mais alto. Sois vós que profanais este sagrado recinto. Ganhareis, porque possuis mais do que a força bruta necessária. Mas não convencereis. Porque para convencer é necessário persuadir. E para persuadir é necessário possuir o que vos falta: razão e direito em vossa luta. Considero inútil exortar-vos a pensar na Espanha. Tenho dito".

miguel de unamuno. 12 de outubro 1936

10 de abril de 2007





El caballo sediento bebe de cualquier agua,
el pájaro hambriento come de cualquier grano.
Al hombre mozo y fuerte a quien acosa la miseria,
¿qué otra cosa le queda sino hacerse bandido?


Wu Ki



Los caballos comen grano,
en la cadra hay doscientos:
y comen cada vez quinientos celemines.
El año pasado fue muy seco; los hombres pasan hambre;
ya se han comido las raíces de las plantas, ahora
comen la corteza del árbol.
Han requisado el grano para los caballos del Estado.
!Los caballos son muy importantes;los hombres valen poco!
Los hombres no se traven a quejarse:
desean que los caballos del govierno corren
veloces como el viento.
Hay disturbios en el Norte y en el Sur,
el general, para acabar con los bandidos, necesita
caballos.

Wu Se-Tao