2 de fevereiro de 2009

No Jardim

Marlee Misty Kert

Dentro de cinco minutos vai conhecer o homem da sua vida.


Bonner Winter Reegan

Leva calças de fazenda castanha vestidas. Molharam-se um pouco quando atravessou a relva, queria certificar-se se a Mikaia Chamomile Jeneva era uma sua antiga colega na antiga escola industrial. Não era.


Torie Jenaya Skye

Vai levantar uma encomenda aos correios.O prazo acabou ontem.


Jenibelle Janelle Spike

Traz um saco roxo com coisas que comprou na loja dos animais. Estava farta de viver sozinha. Voltar para casa e não ter companhia. Foi abandonada pelo Brasen Cal Honey, um morenaço ridiculo que nasceu À beira mar. Conheceram-se numa florista, que era da mãe dele mas que entretanto morreu. Acaba de comprar um pequeno cão a que chamou Aldarico. 


Welcome Vlora Blaze

Está a seguir Dillian Honey Aziley, já faz meia-hora. Será que ele tem uma amante?


Dillian Honey Aziley

Caminha pensando: Onde terei eu deixado o meu guarda-chuva? Vou voltar para trás.


Cricket Mauve StarbuckTinha acabado de ser atingido pela seta do Cupido, esse anjo despido, quando viu Marlee Misty Kert passar.


Easter Kevlyn Kert

Embora pareça um tipo simpático e bem apessoado, acaba de roubar um livro de banda desenhada e de subtrair o chapeu de chuva a um gajo que estava distraido no café.


Trixie Jam Kenadia

gosta de pastilhas elásticas, mais das de mentol.


Idalia Buck Taran

Doem-lhe os pés dentro dos sapatos novos. Está atrasada para uma entrevista de emprego com o cunhado de Dillian Honey Aziley, empresário no ramo automóvel.


Xantara Lawanda Pooky

Perdeu a virgindade à menos de quinze dias. Lucky Lorene Tex trabalha numa mercearia e hoje vai  com ela ao cinema. Ainda não se viram desde aquele dia.


Skip Terryal Ally

Não compreende porque sobreviveu àquela tragédia.


Stevie Jenaya Tawny

Costuma estar aqui, a esta hora, a dar milho aos passarinhos.


5 de novembro de 2008

E o dia chegou



Shawn Hazen, Chicago

www.artofobama.com




28 de outubro de 2008

cinema


Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
Meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais

7 de abril de 2008

"nada vai correr mal"- disse a senhora sei lá ao espelho. bem, na verdade tanto se faz que o tenha dito ao espelho à secretária ou ao respectivo namorado o importante aqui, o que deve ser considerado e pesado para denunciarmos o carácter vivido da afirmação é o tom de voz em que a senhora sei lá, tanto faz realemtne, é um apelido estupido, pouco convicto, mas casos encontraremos em que o nome joga tão bem com a pessoa. disse- o em voz alta " nada vai correr mal" e não não sorria confiante pescoço erguido a caminho do trabalho e não não agarrava a mão do petiz choroso que tinha o seu cão de pata partida estendida na marquesa gelada do centro da sala do veterinário e não não usou aquele tom de conselho entre amantes "nada vai correr mal, é só preciso que te deixes abraçar." não, nada disto, e mais exaustivo podia ser o narrador, nada disto nada disto nada disto. Ela disse "nada vai correr mal" e estava sozinha, saiu-lhe a afirmação com a credulidade dos pobres, "não, não há mais nada que possa acontecer".
lembra-se claro da frase que apanhou escrita num livro do saramago" que a história não registe um facto não significa que esse facto não tenha ocorrido." e era isso mesmo, embora não possa fazer uma lista de factos ocorridos, uma relista de listados - "embora quem me conheça não creia nisto que eu digo, nada vai correr mal, estou vazia de coordenadas, não há átomos, não há desastres, não há nada que não tenha vivido e nada que possa repetir".

1 de abril de 2008

mudança

há uma caixa no centro desta minha sala
minha por mais uma ou duas noites,
sei que é minha por exclusão de partes.

a sala, que a pago, sabendo que mais ninguém o faria
e a caixa, que aberta, vai suportando as coisas
que, com o tempo que nos resta, tenta guardar.

sei que tudo isto é meu, por exclusão de partes,
ninguém habita este espaço e o gato aqui sentado
também é meu, eu dei-lhe nome, eu aproximei-me do gato.

excluindo as partes ficaremos eu e ele sentados
a ver as coisas fugirem dos seus lugares para outros
excluindo sabe-se lá o quê que deixará de acontecer

para que outras coisas ganhem forma, lugar e seu tempo.
Tudo o que habitamos, excluindo o resto, perderá
matéria, sonho, paixão, andamento, odor

e outras coisas ocuparão este centro, por exclusão de partes.
Não sei o que fica para o fim , qual o ultimo objecto a ocupar
tudo o que meu é, se é assim que o ponho.

mas sei que pessoas dançam esta noite feliz,
como se excluindo tudo, tudo fizesse um sentido novo
e é com esses que não me irei deitar