1 de abril de 2008

mudança

há uma caixa no centro desta minha sala
minha por mais uma ou duas noites,
sei que é minha por exclusão de partes.

a sala, que a pago, sabendo que mais ninguém o faria
e a caixa, que aberta, vai suportando as coisas
que, com o tempo que nos resta, tenta guardar.

sei que tudo isto é meu, por exclusão de partes,
ninguém habita este espaço e o gato aqui sentado
também é meu, eu dei-lhe nome, eu aproximei-me do gato.

excluindo as partes ficaremos eu e ele sentados
a ver as coisas fugirem dos seus lugares para outros
excluindo sabe-se lá o quê que deixará de acontecer

para que outras coisas ganhem forma, lugar e seu tempo.
Tudo o que habitamos, excluindo o resto, perderá
matéria, sonho, paixão, andamento, odor

e outras coisas ocuparão este centro, por exclusão de partes.
Não sei o que fica para o fim , qual o ultimo objecto a ocupar
tudo o que meu é, se é assim que o ponho.

mas sei que pessoas dançam esta noite feliz,
como se excluindo tudo, tudo fizesse um sentido novo
e é com esses que não me irei deitar


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