Vamos! O mundo é ali.
Ele olhou-a como se não visse mais nada.
A gente que passava corria não sabemos muito bem para onde, mas a hora era aquela e mais nenhuma. Não podia adiar, dizer algo que não dissesse nada ou pensar, "hum... não estamos bem aqui...". Não, não podia ser.
Ela olhava-o como sempre, calma, atenta, à espera de tudo e de nada, da coisa mais tola ou da simplicidade que a derretia. Pensava que não o ia ouvir com tamanha confusão; gente com sacos de natal, vendedores chineses de pedras ruidosas com propriedades medicinais, turistas de máquinas fotográficas em punho; parecia-lhe que o mundo estava ali, naquela praça, onde se diz que todas as estradas começam e onde o sol é como em mais nenhum local da cidade.
Sorriam os dois, meninos perdidos, achados na partilha daquilo que não era preciso enunciar.
Sorriam e ele ia avançar. Ou ela, antes dele? Correr, tocar, abraçar, beijar?
Ali estavam eles, a meio caminho do mundo.
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