poema da rua estreita
Uso a cabeça inclinada e a visão fixa-se na paisagem:
a dúvida sentada ao fundo debaixo daquela árvore
que a perspectiva e a distancia fazem arbusto.
Devo ter as sobrancelhas arqueadas.
Fazendo ponte como os sorrisos dos palhaços
mas ao contrário.
Espero, olhando com atenção a rua
que daqui imagino nem muito larga nem estreita,
estrangeira, como o país que agora habito.
Tenho os cotovelos no parapeito,
secretária dos livros que estão por escrever
e oiço, ao longe, um rumor -
aquele,
que ainda não virou a esquina e por isso
ainda não apareceu, trará talvez um cartaz
enrolado debaixo do braço.
Respiro respiro ainda mais fundo.
Diz: "o humanismo hoje está de greve".
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