20 de novembro de 2007

poema da rua estreita

Uso a cabeça inclinada e a visão fixa-se na paisagem:
a dúvida sentada ao fundo debaixo daquela árvore
que a perspectiva e a distancia fazem arbusto.

Devo ter as sobrancelhas arqueadas.
Fazendo ponte como os sorrisos dos palhaços
mas ao contrário.

Espero, olhando com atenção a rua
que daqui imagino nem muito larga nem estreita,
estrangeira, como o país que agora habito.

Tenho os cotovelos no parapeito,
secretária dos livros que estão por escrever
e oiço, ao longe, um rumor -

aquele,
que ainda não virou a esquina e por isso
ainda não apareceu, trará talvez um cartaz
enrolado debaixo do braço.

Respiro respiro ainda mais fundo.
Diz: "o humanismo hoje está de greve".

Sem comentários: